O profeta Miquéias escreve isso depois de listar, capítulos inteiros, o quanto o povo tinha falhado. E é exatamente ali, no meio da lista de erros, que ele faz uma pergunta que vale para encerrar qualquer dia difícil: quem é Deus como esse, que prefere perdoar a guardar rancor?
A pergunta de Miquéias não é retórica por acaso. Ele acabou de descrever um povo que mentiu, oprimiu o próximo e esqueceu a aliança, e ainda assim a conclusão não é de condenação, é de espanto diante de um Deus que tem prazer em mostrar amor. Não é tolerância cansada, é algo que o texto chama de prazer. Deus gosta de perdoar.
Repare também no verbo usado para o que acontece com o pecado perdoado: é atirado nas profundezas do mar. Não é empurrado para debaixo do tapete, nem guardado para ser lembrado depois numa discussão futura. É removido para um lugar de onde não se pesca de volta. Se você passou o dia revivendo um erro, uma palavra dura, uma decisão da qual se arrepende, esse é o destino que Deus já deu a isso quando você levou a Ele em arrependimento.
Isso não significa fingir que o erro não aconteceu, nem parar de buscar reparar o que ainda está ao seu alcance reparar. Significa que, feito isso, você não precisa carregar a culpa como peso extra para dormir. Deus não está represando ira esperando o momento certo de cobrar. Ele já decidiu ter compaixão, e essa decisão não muda conforme o seu dia foi bom ou ruim.
Antes de dormir
Senhor, obrigado porque o Senhor tem prazer em perdoar, não prazer em cobrar. Recebo hoje o perdão para o que falhei e entrego o peso que insisto em carregar sozinho. Ajuda-me a descansar esta noite sabendo que o Senhor já decidiu ter compaixão de mim. Em nome de Jesus, amém.



