O dia termina e talvez a colheita não tenha sido a que você esperava. Antes de dormir, vale lembrar de um profeta que aprendeu a confiar mesmo com as mãos vazias.
Habacuque escreve essas palavras depois de descrever um cenário de perda completa: a figueira sem fruto, a vinha sem uva, os campos sem produzir, os rebanhos vazios. Nada do que ele esperava colher estava ali. Ainda assim, ele diz que vai exultar no Deus da sua salvação. E é logo depois dessa confissão que vem a promessa: o Senhor é a força dele.
A imagem que Habacuque escolhe não é a de alguém carregado à força, sem escolha. É a da cerva, animal conhecido por pisar com segurança em trilhas estreitas e terrenos altos, onde um passo errado custaria caro. A força que Deus dá não é só para aguentar o peso do dia, é para caminhar com firmeza mesmo quando o chão à frente é incerto.
Talvez hoje você também não tenha colhido o que esperava: uma conversa que não foi bem, um resultado que não veio, um plano que não saiu do papel. A noite chega e a tentação é fechar os olhos já preocupado com o próximo passo. Mas a mesma força que sustentou Habacuque sem nenhuma garantia visível está disponível para você, mesmo sem você ver o caminho inteiro.
Dormir em paz não exige saber onde cada passo de amanhã vai pisar. Exige lembrar de quem promete firmar esse passo quando ele chegar. Você pode descansar esta noite sabendo que a mesma mão que guiou os pés da cerva pelas alturas sabe exatamente onde colocar os seus.
Antes de fechar os olhos
Para o passo que ainda não veio
Senhor, chego ao fim deste dia sem ter colhido tudo o que esperava, e ainda assim escolho confiar em ti. Tu és a minha força. Firma os meus passos onde eu não consigo enxergar o caminho e me ajuda a descansar esta noite, sabendo que amanhã também estarás comigo. Amém.



