Tem manhãs em que esperar parece ingenuidade, como se a decepção fosse só uma questão de tempo. Paulo escreve o contrário bem no meio de um trecho sobre sofrimento: a esperança que vem de Deus tem uma razão concreta para não falhar.
O contexto desse versículo não é fácil. Paulo acabou de falar de tribulações, e explica que elas produzem perseverança, a perseverança produz um caráter aprovado, e esse caráter produz esperança. Não é uma esperança que nasce de tudo estar bem, nasce do meio do processo difícil. E ainda assim ele afirma, sem hesitar, que essa esperança não decepciona.
O motivo que ele dá não é uma previsão sobre como o dia vai terminar. É um fato já consumado: o amor de Deus foi derramado no coração de quem crê, por meio do Espírito Santo. Não é algo que ainda vai acontecer se você se comportar direito, nem uma sensação que vai embora no primeiro contratempo. É uma entrega que já foi feita, e continua sendo a base de tudo o que vem depois.
Isso muda o que significa começar o dia esperançoso. Não é forçar um pensamento positivo nem fingir que os problemas de hoje não existem. É lembrar que a esperança está apoiada em algo que já é seu, o amor de Deus presente no seu coração, e não em como as próximas horas vão se desenrolar.
Por isso vale repetir: esperança cristã não é a promessa de que hoje nada vai dar errado. É a certeza de que, dando errado ou não, você não está sustentando esse dia sozinho, nem com um amor que pode ser retirado a qualquer momento.
Antes de sair de casa
Senhor, obrigado porque a minha esperança não depende de eu adivinhar como este dia vai ser. Ela está apoiada no seu amor, que já foi derramado no meu coração pelo Espírito Santo. Ajuda-me a lembrar disso quando as circunstâncias tentarem me convencer do contrário. Em nome de Jesus, amém.



