Tem dor que a gente carrega em silêncio, tentando resolver sozinho antes de admitir que precisa de ajuda. Davi faz o contrário nesse salmo: antes de qualquer outra atitude, ele clama. E é justamente aí que o socorro começa.
Salmos 30 é um salmo de ação de graças, escrito depois que Davi já tinha atravessado uma dificuldade grave. Mas o versículo 2 resgata o momento em que ele ainda estava no meio dela: sem solução, sem saber como ia terminar, só com um clamor sincero. Não é uma oração elaborada nem uma fórmula certa, é simplesmente levar a Deus aquilo que dói.
O verbo que Davi usa para descrever a resposta de Deus é forte: saraste. Não foi um alívio parcial nem uma distração momentânea, foi cura de verdade, reconhecida e lembrada tempo depois, quando ele senta para escrever esse salmo. E o que fica claro é a ordem dos fatos: primeiro o clamor, depois a cura. Deus não pede que você já chegue calmo ou com a situação resolvida para poder ouvir.
Isso não significa que toda dor física ou emocional desaparece no mesmo instante em que oramos, e a Bíblia nunca promete isso como regra. Às vezes a cura de Deus vem através do tempo, de um tratamento médico, de um acompanhamento profissional, de pessoas que ele coloca no caminho. O que o salmo garante é outra coisa: que você não precisa esconder o que está sentindo para se aproximar dele, e que o clamor não é sinal de fraqueza de fé, é o começo dela.
Começar o dia lembrando disso muda a forma de carregar o que ainda não sarou. Em vez de empurrar a dor para depois, com medo de parecer fraco, você pode trazer ela primeiro para Deus, do jeito que está, e seguir o dia sabendo que foi ouvido.
Antes de sair de casa
Senhor, meu Deus, hoje eu clamo a ti com o que ainda não sarou em mim. Eu escondo isso o tempo todo, mas diante de ti não preciso. Obrigado por ouvir antes mesmo de eu saber como pedir direito. Cuida de mim ao longo deste dia, no corpo e no coração. Em nome de Jesus, amém.



