O dia termina, mas os planos que ficaram pela metade continuam na sua cabeça. Paulo escreveu esse versículo para uma igreja dividida, incerta sobre o amanhã, e mesmo assim chamou Deus de "Deus da esperança". É esse Deus que recebe você agora, no fim do dia.
Romanos 15 vem depois de capítulos inteiros tratando de diferenças entre os cristãos de Roma: uns comiam certos alimentos, outros não, uns guardavam datas especiais, outros não. Era uma igreja com motivos reais para viver ansiosa quanto ao futuro. E é bem ali que Paulo chama Deus de "Deus da esperança", como quem lembra: a fonte da esperança de vocês não depende de vocês resolverem tudo entre si.
Reparar no verbo escolhido ajuda. Paulo não pede que Deus ensine esperança ou explique esperança. Ele pede que Deus encha de esperança. É a imagem de um recipiente vazio, esvaziado pelo cansaço do dia, sendo enchido por outra pessoa. Você não precisa produzir a esperança de hoje à noite; precisa deixar que ela seja colocada em você.
Alegria e paz aparecem antes da esperança no versículo, quase como preparação. Difícil sentir esperança de coração agitado. Por isso faz sentido que a última coisa antes de dormir seja soltar, com Deus, o que ainda não tem resposta: a conversa que ficou tensa, a conta que preocupa, a notícia que ainda não veio. Entregar isso não é fingir que não existe; é reconhecer que não é você quem sustenta o amanhã.
Esperança bíblica olha para uma pessoa, não para um final garantido de história. Você pode dormir sem saber como as coisas vão se resolver e, ainda assim, dormir em paz, porque a esperança não estava apoiada em você adivinhar o futuro. Estava apoiada em quem já provou ser fiel até aqui.
Antes de dormir
Deus da esperança, obrigado por não me deixar sozinho com o que ainda não tem resposta. Enche o meu coração de paz para encerrar este dia, mesmo com pontas soltas. Troca a minha ansiedade pela certeza de que amanhã continuo nas tuas mãos. Amém.



