O salmista não escreve esse versículo depois que a ansiedade passou, escreve no meio dela. A palavra que ele usa é dominava, não incomodava. E é exatamente aí, no ponto em que o controle já tinha escapado das próprias mãos, que ele diz ter encontrado o consolo de Deus.
Repare que não há nessa frase nenhuma tentativa de minimizar o que estava sentindo. O salmista não diz que a ansiedade era pequena ou que bastava pensar diferente para ela ir embora. Ele admite que ela dominava, que tomou o íntimo dele por completo. Se esta noite você também sente que os pensamentos se multiplicaram mais do que você conseguiu administrar, você não está fora do que esse versículo descreve, está exatamente dentro dele.
O consolo que ele menciona não aparece como explicação para a ansiedade ir embora, aparece como alívio no meio dela continuar. São coisas diferentes. Deus não promete, aqui ou em nenhum outro lugar da Bíblia, que a mente vai parar de se preocupar assim que você orar. O que esse versículo promete é companhia dentro da inquietação, não a ausência dela.
Isso muda o que significa fechar os olhos hoje. Não é preciso resolver o pensamento que insiste em voltar, nem convencer a si mesmo de que está tudo bem quando não está. É possível levar a ansiedade e o consolo juntos para dentro do sono, como o salmista levou, sem que um precise anular o outro primeiro.
Se o peso de hoje tem nome, uma conversa, uma conta, um exame, uma decisão ainda sem resposta, ele continua tendo nome esta noite. A diferença é que agora ele não precisa ser carregado sozinho. O mesmo Deus que chegou até o íntimo dominado pela ansiedade do salmista pode alcançar o seu também.
Antes de dormir
Se os pensamentos voltarem de madrugada
Senhor, esta noite eu admito que a ansiedade dominou mais do que eu queria. Eu não sei resolver tudo o que pensei hoje, mas escolho receber o teu consolo no meio disso. Traz alívio à minha alma e me dá um sono tranquilo, mesmo com o que ainda não tem resposta. Amém.



